TRATAMENTO HOMEOPÁTICO DE INFLAMAÇÕES NAS ARTICULAÇÕES EM VACA LEITEIRA (GIROLANDO)
RELATO DE CASO.

Roberto Mangiéri Junior
Médico Veterinário, MSc., PhD.
cel.: (11) 9723.5903

 

RESUMO

Clínica Veterinária

O trabalho procura demonstrar que a abordagem homeopática no tratamento dos animais de produção tem resultados iguais ou superiores aqueles conseguidos com a medicina dita alopática. As vantagens se ampliam quando levamos em consideração a toxicidade, o custo da medicação e o respeito ao meio ambiente. Um animal da espécie Bovina, produtora de leite de aproximadamente 7 anos, girolando, pesando ao redor de 500 kg. Apresentava claudicação acentuada no boleto anterior esquerdo (AE), vinha perdendo muito peso, comendo mal.. Ao exame clinico detectou-se lesão das partes moles (músculo tendínea) e o tratamento homeopático foi prescrito de acordo com os ensinamentos de Hahnemann e a experiência do médico veterinário que assiste a propriedade.

INTRODUÇÃO

Até pouco tempo não se dava tanta importância às lesões músculo esqueléticas no gado tanto quando se dá ao mesmo tipo de lesões em cavalos. Com rápido desenvolvimento da indústria da carne e do leite bovino, isto vem mudando. A perda de produtividade advinda destas lesões, vem tendo importância econômica em ambos, gado de leite e de corte. Muitas das lesões são resultados de traumas, contusões, lacerações, e material perfurante. (BOVINE MEDICINE AND SURGERY, vol. II, 1980)

Os animais destinados a produção de leite devem estar mantidos com alimentação cientificamente formulada, ter bom conforto térmico, conviver com animais e pessoas pacientes, disciplinadas e bem treinadas (A HORA VETERINÁRIA, vol. 131, 2003)

Qualquer alteração de rotina, alimento fornecido, troca de pessoal do manejo, etc, pode representar queda na produção de leite, já que a menor mudança no manejo estressa os animais, e a produção de leite daquele período fica comprometida.

Quando a propriedade tem um médico veterinário responsável pelo manejo e sanidade do rebanho, os problemas são minimizados, mas alguns traumatismos são inevitáveis como cabeçadas; animal pisoteado por outro mais afoito; escorregões quando o relevo da propriedade não ajuda ou em tempos chuvosos quando o chão fica muito liso (A HORA VETERINÁRIA, vol. 131, 2003)

O caso que se relata a seguir se passou numa propriedade de exploração leiteira, atividade familiar, onde o proprietário e os filhos se encarregam de todas as fases de uma exploração leiteira.

O rebanho todo consta de 35 cabeças; 24 vacas (adultas), 10 novilhas e um touro holandês para o repasse, já que se usa nesta propriedade a inseminação artificial.

Pelo fato de não ser o rebanho muito numeroso e os proprietários diretamente interessados no resultado; isto os faz observadores a contento para a prática da homeopatia.

MATERIAIS E MÉTODOS

O caso que se segue se passou na propriedade de um pequeno produtor familiar, onde a pecuária de leite é sua maior fonte de renda. O gado é mestiço, na sua maioria girolando e alguns com meio sangue pardo suíço.

A alimentação do gado é composta de ração comercial balanceada, cevada, capim NAPIER e cana picados e uma suplementação mineral adequada. O trato é fornecido duas vezes ao dia e depois os animais são soltos em pequenos piquetes onde há cochos e não falta capim picado o dia todo. Os cochos são móveis de forma que se pode transporta-los para um lado ou para outro de forma a não formar atoleiros ao redor dos mesmos. Os animais eram ordenhados duas vezes ao dia com ordenhadeira mecânica bem regulada. Cuidado especial é tomado com a higiene na ordenha. O serviço é feito pelos filhos adultos do proprietário. Os animais são conhecidos pelo nome e os tratadores / ordenhadores sabem bastante bem as características de cada animal. Isto facilita muito a coleta dos sintomas mentais e gerais, tão importantes para selecionar um bom remédio homeopático.

Esta propriedade produz ao redor de 180 litros/dia com 15 vacas em lactação.

RELATO DO CASO

Em 19/08/1997 – o Médico Veterinário foi chamado para examinar uma vaca mestiça de aproximadamente 500 kg., 07 anos, girolando, que claudicava muito do membro anterior esquerdo (MAE) e vinha perdendo muito peso e produção já há alguns dias. Proprietário disse – “a continuar assim vai a óbito em poucos dias”.

Ao exame clinico verificou-se inflamação do boleto do membro em questão, bastante edema (frio) que ao esquentar do dia melhorava um pouco, segundo relato do proprietário. Não havia sinais de fratura. O animal estava mesmo muito “desanimado”, com pouco apetite e magro demais para os padrões da propriedade.

Repertorização: Sintomas:

  • Apetite diminuído;
  • Falta de apetite;

Repertorização: Sintomas:

  • Peito – dor – pontada – adormecimento e claudicação do
    braço esquerdo;
  • Extremidades – Claudicação;
  • Extremidades – Claudicação – articulações.

    Tratamento:
    Rhus – tox CH 12 – 15 glob BID.
    Chelidonium majus CH 12 – 15 glob – BID

Em 29/08/97 – o caso tinha evoluído pouco. Suspende-se a medicação anterior. Vaca ainda muito mole ficava quieta e procurava não andar muito. Às vezes treme.
Repertorização: Sintomas: MENTAL – quieto, quer estar, calafrio durante.
Tratamento: Bryonia ch 12, 15 glóbulos BID/ até o final do frasco

Em 13/10/97 – Noticias por telefone:- vaca está bem melhor, comendo bem, já ganhou bem peso, pelos mais bonitos e apresentou estro.

Em 28/10/97 – Em visita a propriedade, o exame clínico mostrou jarretes inflamados (líquido intra articular bilateral), mas a vaca não sente, mostra apenas pouca dificuldade para levantar. Quanto às dores no boleto (MAE) estava bem, sem sinais do problema.
Tratamento: Rhus – tox CH 30 – 20 glóbulos – SID – 7 dias.

Em 13/11/97 – Inflamação dos jarretes quase imperceptível; sem outras queixas. Vai muito bem.
Tratamento: Rhus – tox CH 100 em dose única (DU).

Em 13/01/98 – Jarrete direito ainda um pouco inchado (líquido intra articular), mas animal não sente. Não incomoda – palavras do criador.

Em 20/10/98 – Vaca havia parido em 08/08/98, resultado de IA inseminação artificial em 27/11/97. E em 15/10/98 já estava sendo inseminada (IA) novamente.
Palavras do criador: – Nunca mais teve nada, só vem melhorando, jarrete permanece um pouco aumentado, mas o animal não sente.

DISCUSSÃO

Clínica Veterinária

A pecuária leiteira na atualidade tem passado por maus momentos.

Nos periódicos de maior circulação e nos jornais especializados que circulam mensais e/ou semanalmente, é raro quando se vê anunciado apenas uma liquidação de plantel de gado leiteiro.

O mais comum é ver de 2 a 3 liquidações de plantel por semana, pois a atividade tem custos de produção muitas vezes maior que o preço de venda do produto.

O que se procura atualmente é baixar o custo de produção e aumentar a produtividade do leite para que a atividade possa sobreviver.

Assim sendo, sabe-se que o custo da medicação homeopática é infinitamente inferior ao custo da medicação convencional (alopática) além de ter muito menos efeitos colaterais.

Se fossemos usar medicação convencional para tratar o caso relatado acima, teríamos que usar os chamados antiinflamatórios (AINE’s e Corticosteróides), que como sabemos trazem transtornos digestivos graves tanto para animais quanto para o ser humano, logo, se há transtornos digestivos o animal não está bem, não se alimenta bem, e sem se alimentar não há produção.

Uma boa parte dos antiinflamatórios pode provocar aborto e como sabemos, sem parto ((normal) não há leite.

Ainda precisamos lembrar que o remédio homeopático por trabalhar com a energia das substâncias e não com a substância propriamente dita, além de ser economicamente correto, o é também ecologicamente.

Além de não deixar resíduos na carne ou leite, não intoxica os animais nem as pessoas que os aplicam, não poluem as águas ou a terra.

Para concluir, no relato que se apresenta , vimos que o animal passou por transtornos de ordem traumática e metabólica e com o tratamento homeopático, em pouco tempo estava recuperado e voltando a sua atividade produtiva, concebendo e parindo normalmente.

 

REFERÊNCIAS

AMSTUTZ, H.D., Bovine Medicine and Surgery, 2ª ed., Santa Bárbara , California, vol. II
pg. 863-865.

BASTOS, N., A Hora Veterinária, vol. 22, nº 131, Porto Alegre, 2003, pg. 06-07

HAHNEMANN, S., Organon da Arte de Curar, 6ª ed., São Paulo, Robe Editorial, 1996, pg. 69-248.

MUSCOPF, G., A HORA VETERINÁRIA, vol. 22, nº 131, Porto Alegre, 2003, pg. 15-16.

STEINER, R., Fundamentos da Agricultura Biodinâmica, 2ª ed., São Paulo, Ed. Antroposófica, 2000, pg 185-204.

TIEFENTHALER, A., Homeopatia para animais domésticos e de produção. 1ª ed. Ed. Andrei, São Paulo, 1996, pg 67-71.

TORRO, A. R, Homeopatia Veterinária, Semiologia, Matéria Médica e Psicossomática, 1ª ed. São Paulo, Tipus/IBEHE,1999, pg. 79-81; 105-107; 212-215.

TYLER, M.L., Retratos de Medicamentos Homeopáticos, 1ª ed., São Paulo, Livraria e Editora Santos, 1992, v 1,pg. 157-167; 268-276.

VIJNOVISKY,B., Tratado de Matéria Médica Homeopática,1ª ed, Rio de Janeiro, Editora Mucunda, 1996, v III, pg. 212-220

VITHOULKAS, G., Homeopatia : Ciência e Cura, 10ª ed. São Pulo, Ed Cultrix, 1997, pg . 369-372.